Visão Sistêmica para Estruturação do Backlog do seu Produto

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O motivo de eu escrever este artigo é o de compartilhar uma visão estruturada da formação de um backlog de produto que de fato considere vertentes de engenharia de produtos e de agilidade.

Como todos sabem, desde 2012 atuo fortemente na transformação organizacional, ágil e digital de empresas de destaque no mercado brasileiro. Nesses trabalhos, em todos os casos me deparei como uma grande dificuldade por parte dos líderes dos times de entrega em materializar um backlog de trabalho que de fato represente as necessidades relacionadas a entrega de valor esperada pela organização.

A minha ideia neste texto não é discutir ou analisar práticas e abordagem de mercado para formar um backlog, fazer inceptions ou coisas do tipo (existem artigos mais adequados para isso). Aqui desejo apresentar para vocês princípios de arquitetura corporativa, engenharia de software e gestão de requisitos que devem ser bem estabelecidos nas sinapses de cada um para que de fato possam trabalhar de forma eficiente e alinhada com algo que ao final resulte em um produto que tenha seu valor maximizado.

DEFINIÇÕES E SIGNIFICADOS

Não adianta caminharmos para um debate sem que os significados das coisas estejam claras. Destaco que aqui não busco mudar a sua “crença” sobre os termos a seguir, mas sim deixar claro o que tenho em minha visão de solução.

ARQUITETURA DE UMA EMPRESA

O maior erro que se pode cometer na formação de um backlog de trabalho é ignorar completamente a estruturação da organização. Essa estrutura em sua forma ideal, permeia a organização de ponta a ponta, criando sinergia entre aqueles que transformam esforço (processos, funcionários, sistemas, algoritmos, etc ) em versões de produtos prontos para os clientes.

Não entrarei em detalhes para todos os itens, seria tema de um outro artigo. Todavia, alguns pontos preciso mencionar:

  1. Numa organização existem 3 camadas representas por seres humanos: Acionistas, colaboradores/parceiros e clientes
  2. Clientes consomem os produtos e serviços através de um catálogo via canais ( digitais ou analógicos)
  3. Estruturas corporativas (áreas, feudos, tribos, departamentos…etc) existem para levar da melhor forma esses produtos e serviços via canais para os clientes
  4. Uma estrutura corporativa tem ligação direta com um ou mais “Componente de negócio”
  5. Para suportar um componentes de negócio são necessárias plataformas e times
  6. Uma plataforma é feita de features ( funcionalidades ) – UFA!!! se quiser esquecer todos os outros itens é um bom momento, mas guarde este por favor!

Fora os 6 itens comentados gostaria de destacar um outro ponto importante. Em nenhum momento mencionei o termo projeto. Logo, no meu ponto de vista, projetos não são entidades necessárias em uma organização.

ÉPICOS

Representa um serviço prestado por um componente de negócio (business services). É uma jornada de evolução de plataforma/arquitetura/tecnologia . Representa o atendimento a um tema estratégico.

O épico não é um projeto dito de outra forma.

O épico não é um produto.

Um épico existe, impacta e demanda a organização enquanto tiver sua relevância e uso.

Exemplos de épicos seriam: Análise de contratos(Jurídico); Avaliação de crédito (Financeira); Empacotamento (Logística);Atendimento ao cliente(Agência);Gestão de conformidade(Governança)

FEATURES

É um componente da solução de tecnologia ( plataforma ou infra) que suporta a execução de um business service <=> Épico

É o item tangível do valor esperado pelo cliente/usuário para atender suas necessidades

Pode ser tipificado em: Interface humana, campanha, pesquisa, interface sistêmica, relatório, rotina automatizada, documentação técnica, algoritmo, vídeo, documentação funcional, etc

DICA: O tipo de feature aliado com a plataforma, tecnologia, nível de automação e maturidade de equipes é um ponto de partida excepcional para previsibilidade do portfólio de demandas (tema para outro artigo de tão importante)

HISTÓRIAS

Uma História representa a forma como uma determinada persona deseja interagir como uma Feature.

Para sua construção utiliza-se um modelo mais humano que busca manter a necessidade de negócio na perspectiva do usuário. Em geral as Histórias seguem a seguinte estrutura.

“Dado que sou , <Papel do usuário> gostaria que <descrição da necessidade> de tal forma que <descrição do objetivo>.

A história tem uma definição de “ready”, definição de ”done” e critérios de aceite e pode receber diversos documentos complementares como anexo, para que viabilize o entendimento entre as partes

Uma história inclui, altera, remove ou ativa/inativa uma feature de um produto/plataforma

TASKS

A Tarefa define o trabalho necessário para completar a entrega de uma História.

Uma tarefa tem como objetivo impactar uma feature para atender uma história de usuário

Uma tarefa deve ser qualificada em planejamento, documentação, desenvolvimento, testes, implantação e suporte.

ENTREGA

Uma entrega é um conjunto de features que foram desenvolvidas através da transformação de esforço (tarefas) em features de uma solução para atender as necessidades de um clientes (história) através de um determinado canal

ROADMAP / RELEASE PLAN

Uma visão na linha do tempo das entregas

VISÃO GERAL DE RELACIONAMENTO

Os Épicos e Histórias estão relacionados ao fluxo de valor, com experiência e com a jornada

As Features e Tasks são relacionadas com a engenharia do Produto/Solução.

AJUSTANDO A ROTA

Nos itens abaixo vou compartilhar com vocês alguns pontos que devem ser atacados para ajustar a rota para ter um backlog top de verdade, que todos tenham clareza e que a gestão de ponta a ponta seja efetiva.

USE FEATURES!

Se você ainda não usa o conceito de features, pare tudo e comece a usar. Migre de um conceito “vamos listar os desejos” para uma ação orientada a features de produtos, com valor agregado e estimativas.

Para isso ser alcançado invista em um profissional com a competência. Não parta do princípio que as pessoas conseguem fazer essa mudança logo de cara. As carreiras associadas a este são são de Gerente de Produto e Product Owners!

Uma linha de estudo sensacional para esse tema é conhecer mais de #FDD – Feature driven developement.

RECICLE O MODELO DE ATENDIMENTO

Não torne o processo de formação de backlog uma maneira diferente de fazer a “tirada de pedidos” no caderninho. Utilize técnicas de #designthinking #productbacklogbuilding #leaninception #UX #customercentricity

FERRAMENTA DE SUPORTE ADEQUADA

Esse é um grande desafio pois as ferramentas que seguem o modelo de requisitos ágeis em sua grande maioria ignoram a existência de Features trabalhando apenas com Épicos, Histórias e Tasks. Fale com o seu #agilecoach ou especialista para que possa ser configurado um template com features ou que sejam utilizados TAGS ou Cores para definir o que é uma feature. Não é um absurdo ter um Kanban separado para Features e que seja feita uma gestão mais manual do processo.

Ferramentas como #TFS #JIRA são recomendadas e cobrem essa visão. Já #trello #planner darão mais dores de cabeça

TENHA PROFISSIONAIS ESPECIALISTAS

Não ignore a complexidade do tema, tenha especialistas no time! Um especialista vai custar mais, mas vai entregar 2x ou 3x mais do que uma pessoa com pouco conhecimento. Profissionais para esse tema levam 10 a 12 anos para ter a bagagem necessária para ter eloquência ao ponto de tocar o tema na dimensão corporativa.

CASO QUEIRA DETALHAR MAIS O TEMA

CONTATO PESSOAL

Me adicione no linkedin que eu respondo todo mundo.

ME ENCONTRE PELA MOOVEN

Como muitos devem saber sou um dos sócios da Mooven Consulting – uma empresa especializada em Transformação Digital e Ágil.

Confira o site da Mooven e verifique nosso catálogo de serviços, será um prazer ter um relacionamento pessoal ou profissional contigo!

#vempramooven

Visite o site da Mooven Consulting

ME ENCONTRE PELA MODO

Outra maneira de me encontrar e bater um papo é via MODO.ONLINE. A MODO é uma iniciativa nova na qual estou atuando para criar um canal diretor entre profissionais e empresas. Faça seu cadastro na plataforma que será um prazer dar um feedback para vocês que buscam ampliar o alcance de suas carreiras!

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Artigo escrito originalmente no LinkedIn por Rodrigo Galdi, Co-Founder & CTO da Mooven Consulting

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